Análise: Rememoried

Como poderíamos entender o que nossas memórias podem esconder? E se nossos sonhos realmente pudessem ser explorados? O que será que encontraríamos? Rememoried é um jogo que faz o jogador mergulhar em sonhos e memórias nos permitindo explorar essa temática de forma surrealista através de um mundo cheio de segredos. Mas será que essa experiência foi legal? Confira agora na nossa análise.

História

rememoried2Rememoried é um jogo que foi desenvolvido por uma única pessoa. Vladmir Kudelka não nos entrega uma experiência baseada em uma história ou uma narrativa forte e robusta. O jogador, um personagem sem rosto e sem nome, é deixado em uma estranha floresta com elementos que aparentemente não tem absolutamente nenhum sentido. O objetivo é desvendar o que deve ser feito para dar o próximo passo e avançar no jogo.

É isso. Quem é o personagem? Porque ele está nesse lugar ou o porquê ele precisa sair dali é um mistério e, na verdade, como a proposta do jogo não é essa, isso pouco importa. O que podemos entender é que o personagem pode ser ninguém mais ninguém menos, que nós mesmos. Trancados dentro de um sonho, uma memória e que devemos explorar esse ambiente sempre em busca de uma saída.

Jogabilidade

Podemos definir Rememoried como um jogo de exploração em primeira pessoa. O cerne do jogo é a resolução de inúmeros puzzles espalhados por diversas áreas. Como colocado anteriormente, o jogador é deixado em um lugar estranho sem saber muito que fazer. Uma espécie de sonho daqueles que a gente acorda se perguntando “porque será que sonhei com isso?”. O jogo não mostra absolutamente nada que deve ser feito, não há itens para serem colocados em nenhum lugar. A primeira sensação é que estamos sozinhos e perdidos em algum lugar entre Limbo e um videoclipe da Lady Gaga.

rememoried5Após esse primeiro impacto, começamos a explorar o ambiente e percebemos que podemos andar e pular e que estamos cercados por alguns estranhos elementos e que esses elementos parecem ter uma função naquele contexto, dependendo de como olhamos para ele. Descobrir isso faz com que o jogador comece a perceber como o jogo funciona. É complicado tentar explicar a mecânica do ponto de vista que estamos acostumados. Jogos com o foco em resolução de puzzles geralmente trabalham com a sensação do jogador de “doação e recompensa”.

Por exemplo, em The Witness (Thekla – 2016), o jogador doa um pouco do seu tempo na interação com determinados elementos do cenário, um pouco da sua perspicácia para resolver o problema e é recompensado quando consegue avançar. Em Rememoried as coisas não são bem assim. A interação com os diversos elementos do cenário acontece de forma diferente. O jogador não vai simplesmente interagir com um monte de botões ou usar algum tipo de objeto em determinado lugar para prosseguir no jogo. Será preciso usar o raciocínio de forma mais subjetiva. Calma que a gente explica a seguir.

Desafio

Parte da dificuldade do jogo é justamente entender o porquê. Por que existe uma bendita moldura branca de uma janela parada no ar e qual a relação dela com o que precisa ser feito? Temos uma casa e, vislumbrar possibilidades de interação com a moldura naturalmente surgiriam em nossa cabeça. Então, tudo ficaria por conta da resolução do problema por exclusão. Teríamos a oportunidade de pensar muitas possibilidades e a cada tentativa, excluirmos as possibilidades que deram errado até acertarmos. Mas existe um problema. A casa simplesmente não existe!

Rememoried faz isso com a cabeça do jogador e nos faz buscar outros métodos de interação entre os muitos elementos durante o jogo. A visão do jogador aqui é fundamental. Não basta apenas saber o que olhar e para onde olhar, mas entender exatamente como olhar.

Em muitos momentos fiquei absorvido pela quantidade de possibilidades de resolução de puzzles dentro de um mesmo cenário com elementos tão desconexos entre si. As primeiras fases são obviamente mais fáceis e com um olhar minimamente atento, o puzzle é resolvido, mas nas fases seguintes a sensação muda, uma vez que o jogo permite explorar o ambiente de forma menos linear. Isso faz bem ao jogo, mas por outro lado escancara um problema. Alguns puzzles não tem inspiração enquanto outros são memoráveis. Esse pequeno desequilíbrio pode frustrar aquele tipo de jogador que prefere ser desafiado de forma mais abstrata e direta.

Gráficos

rememoried6Rememoried tem um lindíssimo trabalho de arte. Apesar dos cenários contarem com poucas cores, a iluminação se destaca. Os cenários lembram muito uma exposição de quadros surrealistas. Gráficos simples, mas com muitos elementos que enchem os olhos até daqueles jogadores acostumados com jogos com essa pegada.

Conclusão

Rememoried é um jogo original e com uma mecânica promissora, mas que derrapa na experiência justamente por parecer entregar ao jogador uma base sólida, mas sem muita profundidade. Para quem curte jogos do estilo e pode entregar horas ao jogo, recomendo a experiência, mas para quem não curte, deixe esse aqui passar.

Rememoried está disponível na Microsoft Store por R$57,45, na Playstation®Store por $14,99 e no Steam por R$19,99